Pensamentos e reflexões

18:09:00


Caminha-se sem muitas informações. Segue-se a vida, cabisbaixo ou de maneira altiva, sabe-se o quanto é fácil se perder em lugares não explorados, permanecer no conjunto é sentir-se participante de um grupo, o que é bom, cria-se rotina e um a um, todos estes, descerão ajudando o próximo pobre a suportar a incerteza deste fim infeliz ou radiante que é o transformar olhos, braços, cabelos e sorrisos em ossos, que se misturaram ao pó ou que se tornaram cinzas em um grande forno “sumidor” de cadáveres, diferente de um forno microondas na especificidade, mas igual a este na essência, sendo ambos movidos a energia elétrica.

A questão nunca girará em torno de uma vitória, mas sim na aceitação tácita, pouco entendida, mas superada nas primeiras sinapses que originam o raciocínio sobre o tema: morte no fim das contas. A certeza do tempo escoando deixa o ser humano impaciente, como diria Raul Seixas: “eu tenho uma porção de coisas grandes prá conquistar e eu não posso ficar aí parado”. Quanta incoerência há em um consenso! E digo em qualquer consenso, pois este é um senso aceito pelos presentes, um senso comum, que muito longe do ideal semeia a desilusão no coração de quem se resigna para não ser o diferente utópico.

Um ser humano respeitado, formador de opinião seguido por milhares de pessoas ou um gari, recolhedor dos lixos produzidos, sem condições de luxos caros, de lazer mais robusto ou de um sonho mais colorido, qual a diferença entre os seus fins? A tumba, o féretro, o sepulcro sem cimento, a grama verde ou as flores ornamentadas no dia de finados?

Pegue sua viola, seu violão, sente-se no seu piano, pegue seu trompete, leve sua gaita a boca ou bata suas mãos contra a fórmica da mesa, qual é o som que retorna aos teus ouvidos? Qual é a melhor parte da música? A execução da melodia ou o silêncio que segue ao término das execuções, quando em plena catarse as pessoas se sentem livres, capazes e esperançosas?

E assim, errantes, delirantes, confusos, admirando a paisagem, confundindo flores de verdade com as de plástico, enxugando uma lágrima ou provocando uma torrente lacrimal, zarpa-se para o nada em confluência com o tudo quântico, sem um aceno acaba-se a cena e a própria existência.

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