Equilíbrio

23:51:00


Desejar uma sensação de permanente controle começa com uma atitude, a de ter o próprio desejo. Penso que, se ficamos muito próximo do objeto, acabamos perdendo o foco e os detalhes. É preciso distanciamento, sem perder o calor da proximidade das intenções do bem e do melhor.

Ao acordar, ao nos aprontarmos para sair, ao chegar ao trabalho, durante o dia, em nossa família e no cotidiano em geral, temos que tomar decisões, independentemente do trabalho e do nível hierárquico que ocupamos em uma empresa, pois viver é tomar decisões.

Durante toda a vida, principalmente na fase adulta, seguimos decidindo e assim o fazemos até o dia em que vamos deixar o mundo para nos tornarmos uma história, apenas um retrato na cômoda e uma lembrança que aos poucos será esquecida.

Nas obrigações diárias, desgastamo-nos e nos sobressaímos pela capacidade de lidar com as decisões. A maneira como fazemos nossas imposições conta muito para sermos bem ou mal avaliados. A forma como fazemos concessões e demonstramos empatia, colocando-nos no lugar do outro, é critério de diferenciação.

A busca pela aprovação unânime é utópica e inócua. A reclusão mental só pode trazer a depressão ou levar ao isolamento. É preciso sabedoria, paz e serenidade, algo que não se consegue por si só. É preciso pedir aos céus para que haja uma conspiração do universo. É necessário ter humildade para saber que, se Deus ou qualquer outra forma de crença que você tenha não intervir por você, o sucesso, a normalidade e a aceitação serão mais difíceis e improváveis.

Há, na história filosófica, pensamentos que traduzem as ansiedades do homem diante do novo. Já houve quem disse que viver é uma arte para a qual só o desapego poderia ensejar uma diversão e uma compreensão do que realmente merece ser prestigiado.

Observando a natureza, deparamo-nos com uma ordem perfeita de simetria, até mesmo nos “acidentes naturais”, pois há beleza e uma precisão matemática. Na vida do homem, isso não é diferente: temos sentimentos, queremos ser notados, pois a indiferença é uma surra sem mãos que nos mói o corpo. Todo homem precisa do novo de vez em quando e de algo que desperte seus ânimos, seja para o trabalho, seja para o amor ou para a solidariedade.

O homem entende a maioria das doenças, embora desconheça muitas de suas causas. Entende a dor física e a psicológica. Sabe de sua impotência perante muitos mistérios. Sabe também que é substituível. O homem sabe sobre a morte. Sabe de suas limitações e sofre com sua capacidade de pensar, que o faz consciente de que precisa ser parte de um continuísmo sem fim.

O equilíbrio não é ter condições de sempre estar certo, mas de conseguir reconhecer os caminhos que podem conduzir à melhor escolha e aceitar que às vezes a volta é mais produtiva do que a insistência em determinada coisa. Possuir o equilíbrio em dias tão atribulados pela tecnologia, pelas novidades comerciais, pelas drogas, pela ansiedade dos jovens e pela falta de recursos financeiros é acreditar que sempre haverá um amanhã melhor e, em razão disso, não se exasperar com o destino.

Na vida desempenhamos papéis, que nos são dados de quando em quando. Muitos já foram filhos, alunos, pais, professores, mestres, padres, líderes, liderados, colaboradores, necessitados, ricos, empresários, doadores, solidários, etc. Não é possível ter a ilusão de que o papel de hoje nunca lhe será tirado ou que a ele não será acrescido outros. É bom ter a calma de viver um dia por vez.

Caso o homem e a mulher conseguissem buscar o equilíbrio de suas condutas, de suas convicções e de seus sonhos, perceberiam que podem muito mais do que suspeitavam, que poderiam, acima de tudo, ser felizes, sem necessariamente se importar com a felicidade.

É manchete recorrente nos jornais a violência; a venda de remédios controlados aumenta; o estresse e a depressão tiram pais e mães de família de seus trabalhos e os colocam no INSS; muitas famílias perdem o diálogo; e a igreja, por vezes, é mero lugar de encontro formal, pois falta capacidade de encontrar o equilíbrio necessário para viver bem.

Na vida, o equilíbrio é fundamental para se alcançar a dignidade, para saber para onde se está indo e, acima de tudo, para aceitar as frustrações que nos ajudam a sermos fortes e mais preparados para as intempéries.

Equilíbrio é palavra recorrente nos discursos de autoajuda, que, às vezes, nada ajudam; não há caminho batido para ser alcançado, mas reconhecer que precisamos de equilíbrio em nossas vidas pode ser parte da descoberta do caminho que nos levará a um lugar imperturbável e necessário para sorrirmos diante dos desatinos e termos noites tranquilas, independentemente do “tempo” que esteja se formando lá fora.

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