Vai com Deus Amigo Guarda Civil

22:32:00


Faleceu no dia 16 de Dezembro de 2008 um herói, que não foi anônimo, mas pouco conhecido. Roberto Carlos de Castro exerceu a função de Guarda Civil Municipal por quase vinte anos. Sempre disposto trabalhava feliz e se permitido fosse, trabalharia todos os dias do ano. Adorava sua profissão.

Convivi com ele profissionalmente pouco, mas pessoalmente acompanhei sua luta contra um câncer que o levou desta face de terra em pouco mais de um ano após o diagnóstico.

Castro, como era seu nome de guerra na Guarda Civil Municipal foi um homem público, que segundo quis Deus, cumpriu sua etapa nesta vida terrena com pouco mais de 40 anos de existência.

Era otimista, falava sempre na vida e em seus aspectos positivos, mesmo quando a debilidade galopante, causada pela doença, lhe roubava as forças físicas. Castro, independente das dores manteve sua postura de vencedor. Definitivamente ele não pensava em sair de cena, sua vontade de viver era contagiante. Sua vontade de vencer era tão grande que me deixou uma lição: não importa o quão longe estejamos do nosso objetivo, devemos sonhar com a sua conquista.

Em nossas viagens à Campinas, onde ele se submeteu a sessões de radioterapia eu escutava suas histórias, seus feitos profissionais e era palpável sua satisfação em ajudar o próximo, quer fosse em causas menores ou maiores.

Ah! Se todos profissionais, quer fossem torneiros mecânicos, médicos ou advogados, tivessem o carinho pela profissão como este Guarda Civil Municipal tinha... como o mundo seria melhor!

No dia 07 de setembro deste ano, ele acompanhou o desfile da Guarda Civil Municipal pela Avenida Corifeu de Azevedo Marques, fez questão de estar fardado, mesmo com prescrições médicas cautelosas e na cadeira de rodas. Ele enfrentou a emoção e sorriu o tempo todo, seu coração com certeza estava aos pulos. Ele via seus irmãos de farda passarem marchando, bem como em viaturas, ao som de sirenes e do brilho de seus giroflex e seu ser com certeza se enchia de orgulho por pertencer a uma corporação na qual ele acreditava.

Castro era uma daquelas figuras emblemáticas, jeito simples, fala meio anasalada, jogava para o “time” e não para a torcida. Lembro-me de outro ato público que compareceu fardado, também na cadeira de rodas, no qual ele agradeceu ao apoio que recebia dos companheiros e a maneira como ainda fazia piadas ficou congelado em minha memória. Assim como o sorriso que forneceu às câmeras fotográficas.

O clima no seu velório era de consternação, mas todos procuravam se consolar lembrando-se dos seus últimos dias, os quais seus sofrimentos estavam aumentando.

Este herói deixou sua arena. Com certeza está em paz. Seus filhos e esposa serão velados pelos amigos e por Deus, que nunca os abandonaram.

Vai em paz meu irmão, que seu entusiasmo possa estar sempre presente em outros membros da Guarda Civil Municipal. Guardas que nesta despedida prestaram, pela última vez, uma continência a você, amigo Castro, mais do que merecida.


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