Alcides, um senhor de cem anos.

07:56:00


Alcides nasceu no ano de 1909 na fazenda de Monte Alegre, numa comarca conhecida na época como Passa Três. Hoje estas terras pertencem à cidade de Cesário Lange.


Filho de Firmino José de Miranda e de Maria Joaquina da Conceição Alcides desde menino começou a trabalhar na lavoura de café. Foi o primogênito de uma família que teve mais cinco filhos.


Foi matriculado na escola da localidade, mas não a freqüentou. Todavia demonstrando ser autodidata aprendeu a conhecer as letras e os números, tendo se alfabetizado sozinho.


Enamorou-se e casou com Isaura Maria da Conceição, moça que também morava na colônia da fazenda Monte Alegre. O casamento se deu no ano de 1932, no segundo dia de janeiro.


Dessa união teve nove filhos Nelson, Jarbas, José, Gilberto, Alcides, Oscar, Eliseu, Maria e Nair. Destes, dois já morreram: Gilberto e Nair. Através dos filhos ganhou inúmeros netos, bisnetos e tataranetos.


Após certo tempo de casado mudou-se para a cidade de Tatuí, depois para Porto Feliz e outras tantas cidades. Continuava ainda, trabalhando de fazenda em fazenda. Arava a terra com burros.


No ano de 1950 converteu-se e batizou em uma igreja evangélica. A qual freqüenta até os dias de hoje.


No dia 25 de Novembro de 1954 se mudou para Santa Bárbara d'Oeste. Nesta época tinha 44 anos de idade, estava prestes a completar 45. Havia enfim, encontrado um lugar agradável e que o enchera de paz.


Na década de 50 as indústrias Romi estavam aumentando as suas estruturas físicas e Alcides trabalhou em suas construções, ajudando no progresso desta que é maior empresa barbarense.


Na década de 80 se habilitou e tornou-se cocheiro. Até hoje mostra com orgulho a sua “carta”. Começou a fazer "carretos".


O tempo passou. Alcides se aposentou, mas nem por isso seu ânimo para o trabalho se esmaeceu. Na década de 90 com a idade de 81 anos fez para si um carrinho e conseguiu alvará para trabalhar. Foi vender pipocas e doces na Praça Dona Carolina, que está situada em frente ao Fórum.


Perto de completar noventa anos, quando o corpo já começava a apresentar a conta de tanto esforço feito e trabalho realizado deixou a rotina de vendedor de pipocas e doces. Começou a trabalhar em casa. Ele e sua esposa tiravam as linhas excedentes das calças e camisas para a empresa Vironda.


Quando deixou este trabalho, passou a vender sorvete de saquinho na sua residência, o famoso “geladinho”.


No ano de 2004, quando ele já tinha 94 anos de idade e sua esposa Isaura tinha 90 à vida os separou. Um derrame cerebral tirou a sua esposa do seu cotidiano. Viveram juntos 73 anos, um dos casamentos mais antigos do Brasil, segundo pesquisas informais realizadas.


Ao contrário do que muitas pessoas imaginaram Alcides não perdeu as forças. Apesar de ter ficado triste continuou a levar sua vida com a cabeça erguida. Mais uma vez ele se adaptou.


Hoje em dia ele “ataca” de marceneiro. Apesar de suas ferramentas serem precárias ele faz no fundo da sua residência pequenas caixas e pequenos armários de madeiras.


Nesta altura da vida Alcides pôde ainda ter uma grata surpresa. O reencontro com o seu irmão caçula que ele não via há décadas.


Alcides quando começou a se mudar de uma cidade para outra acabou se perdendo dos seus familiares, mas nem por isso deixou de amá-los. Por sessenta e cinco anos ficou sem informações dos seus irmãos.


Porém, no ano de 2008, um dos netos após intensa busca encontrou o seu irmão mais novo. Seu nome: João. Após rápidos preparativos foi promovido o reencontro e Alcides pode abraçar aquele outro senhor de 86 anos, que ele havia visto pela última vez no ano de 1943.


Ele escutou histórias que ocorreram na sua ausência, a mais triste delas foi à narração da morte da sua mãe, que faleceu nos braços deste seu irmão caçula.


Alcides continua forte e saudável. Deseja ainda viver muito tempo. Têm planos e sonhos. Sua fala é pausada, sua audição é normal. Ainda lê todo dia o jornal Diário de Santa Bárbara d'Oeste. Não assiste programas na televisão, nem sequer o aparelho televisor ele tem.


Alcides é um exemplo. Ele agradece a Deus pela vida que tem. Acredita sinceramente que o Criador foi misericordioso com ele.


No próximo dia 14 de dezembro ele se tornará um cidadão barbarense de direito, será honrado com este título e com a medalha Dona Margarida, graças a gentil propositura do vereador Danilo Godoy.


Com a proximidade do seu aniversário, neste dia 28 de novembro, ele não demonstra ansiedade, mas ri com gosto quando diz que vai completar cem anos, diz que jamais pensou chegar tão longe.


Que sua conquista possa iluminar outros seres humanos, que às vezes muito mais jovens já desistiram da vida. Este senhor Alcides, que eu tenho o privilégio de ter como avô, espera comemorar outros tantos aniversários. Quem sabe? Saúde e ânimo por enquanto não faltam.

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4 comentários

  1. É EMOCIONANTE. PRESENTE DE DEUS TER UM AVÔ NESSA IDADE E COM TANTA FORÇA!
    ESCREVA PARA NÓS COMO FOI A COMEMORAÇÃO? SE ELE FICOU FELIZ...
    PARABÉNS PELO SEU CARINHO ENQUANTO NETO. SEU CORAÇÃO VALE OURO.
    BEIJINHO COM CARINHO.

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  2. Alessandra26/11/09 09:20

    Parabéns Eliel, como sempre você nos emociona com seu talento.
    Ah...tive uma idéia o que acha de passarmos o livro de assinatura na festa e cada um que assinar colaborar com uma caixinha (semelhante ao corte da gravata), isso lhe possibilitaria novas ferramentas.
    Abço,
    Alessandra

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  3. Que lindo seu avô!
    Que história bonita!
    Está explicado de onde você tira tanta disposição!
    Parabéns para o seu Alcides!

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  4. Prezado Eliel,

    Tive conhecimento do seu blog através do seu irmão Carlos Miranda, o qual tenho grande orgulho de ter como companheiro na jornada de cada dia denso e muitas vezes complicados de trabalho. Achei de grande carinho e admiração o texto que publicou sobre seu avô. Que Deus ilumine seu caminho sempre e que a força em viver do seu avô seja o grande estímulo para os prósperos dias de sua vida

    Um abraço

    Jorge Muritiba - Farmacêutico - São Paulo / SP

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Obrigado. Fica com Deus.

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