Um pedaço de chão que nunca esfria

18:36:00


O rei morreu “naturalmente”, a rainha foi decapitada. As três princesas fugiram. O reino desmorona e não há ninguém com credibilidade suficiente para dizer que “Deus” o “nomeou” como sucessor do trono. Nem tampouco há aclamação em torno de um nome. Ao que parece a anarquia está começando.

Os cobradores de impostos foram saqueados. A Guarda Real está aquartelada. O clima é tenso, os homens se voltaram contra o sistema, cansaram de serem usurpados. Como a inteligência não é o forte dessa turma logo haverá de começar uma linguagem universal: a da violência.

O toque de recolher foi imposto tacitamente, nenhuma taverna mantém suas portas abertas depois que o sol vai para o seu merecido repouso. Há notícias de alguns estupros, de pequenos roubos e de alguns furtos.

O território sem proteção coletiva fica fragilizado. Aos poucos começa surgir, ainda que sem tanta força, uma liderança, a do ex-conselheiro do rei. Hábil com as palavras encontrou seguidores, mas uma faca afiada lhe tirou a fala e também a vida. Foi encontrado em uma rua qualquer da vila real, um cachorro lhe lambia a ferida.

Em poucos meses forasteiros aportaram e começaram a fazer arruaças, eles até parecem urubus que sentem o cheiro de carniça a quilômetro de distância da mesma. Eles ficaram sabendo do reino desprotegido e lá foram disseminar o pânico, a dor e o desespero.

A morte grassou. As famílias foram sendo destruídas e em uma noite fria de inverno as casas que eram frágeis foram destruídas e muitas incendiadas. A maioria das pessoas se salvaram, mas outras deixaram ali suas vidas e os seus corpos putrefaram a céu aberto.

Esta lenda é contada para justificar um pedaço de chão naquelas redondezas em que o solo é tão quente, que mesmo de botas é impossível ficar nele por muito tempo. O solo sem explicações científicas jamais esfriou. A terra fez esta homenagem para pobres desconhecidos, talvez para deixar como recado que a pior coisa que um homem pode fazer é o mal para o seu semelhante.

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