PIPA, BRINCADEIRA, CEROL E MORTE

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A pipa é um brinquedo que pertence ao folclore brasileiro. Empina-se pipa há muito tempo e em diversos lugares do mundo. Uma das versões da história da criação da pipa narra que ela foi criada há cerca de 2.500 anos, na China, sendo que naquela época não era coisa de criança, mas sim instrumento de guerra, pois servia para transmitir mensagens e informações no campo de batalha.

No ano de 1752 o cientista Benjamin Franklin utilizou uma pipa para demonstrar que os raios eram apenas descargas elétricas. A pipa também foi pano de fundo para o livro e depois filme, O caçador de pipas, escrito por Khaled Hosseini, que relata um drama da década de setenta vivido por dois amigos afegãos.

O nome deste brinquedo feito tradicionalmente de seda, varetas de bambu, cola e linha varia de região para região e pode ser popularmente chamado de pipa, papagaio, raia, quadrado, curica, cângula, jamanta, pepeta, casqueta, chambeta, morcego, lebreque, bebeu, coruja, tapioca, barril, bolão, estilão, pião, pandorga, cafifa, maranhão etc.

Como brincadeira o ato de soltar ou empinar pipa é considerado muito divertido, há inúmeras manobras que podem ser feitas com o brinquedo. A pipa é barata, de fácil confecção e uma brincadeira que vai sobrevivendo às gerações, pois continua fazendo adeptos. Entretanto, o ato de soltar pipa sem responsabilidades pode causar inúmeros problemas, inclusive a morte.

O cerol é uma mistura criminosa, basicamente feita de cola e vidro moído. É passado na linha que empina a pipa, a fim de que o duelo entre as pipas fique mais fácil. O pior é que a linha com cerol não corta só a linha de outra pipa, corta também vidas, sonhos e possibilidades.

O combate ao uso do cerol em Santa Bárbara d’Oeste é dever fixado pela lei municipal 2.817/03 de autoria do então vereador Hédio de Jesus Brito. Na lei há previsão de multa para quem usar e comercializar o cerol. No entanto, a lei não foi ainda regulamentada, por isso a aplicação da multa não está instrumentalizada e viabilizada.

A Guarda Civil Municipal faz anualmente o trabalho preventivo, através de palestras nas escolas de educação de ensino fundamental, ministradas aos alunos da série inicial até o quinto ano, são crianças entre seis e onze anos. É feito também pela Guarda Civil Municipal o trabalho repressivo, por meio de apreensões do cerol e registros dessas ocorrências.

Apesar de todos os esforços, no dia 10 de janeiro de 2011, o motociclista Ezequias Pessoa do Nascimento, de 35 anos morreu degolado por uma linha de pipa que tinha cerol. É a segunda morte no município relacionada com a brincadeira de soltar pipa, pois em 2008 uma criança tomou uma descarga elétrica e morreu ao tentar desenroscar uma linha de pipa de uma rede de energia elétrica de alta tensão.

É preciso dizer que para empinar pipa, necessita-se de espaço para correr e a ausência de fios telefônicos ou de energia elétrica, podendo ser utilizados campos de futebol, parques e descampados. Não podem ser usadas linhas metálicas. Não pode usar cerol. Não pode empinar pipa em dias chuvosos, pois a pipa pode funcionar como para-raio e a pessoa tomar uma descarga elétrica. Caso a pipa enrosque em árvores, em casas ou em postes não deve ser resgatada. Não suba em cima do telhado da casa para empinar pipa. Não pule em casas, sem autorização do proprietário, para pegar uma pipa, uma vez que pode ter cachorro. Não solte pipa perto de pistas. Cuidado com buracos, pedras, olhe onde está pisando, evite tombos.

Enfim, é preciso trabalho em conjunto. O Poder Público deve fazer a sua parte na prevenção e na repressão das ilegalidades cometidas ao empinar pipa. A comunidade pode auxiliar na conscientização, sobre os riscos, da prática maldosa e criminosa do uso de misturas cortantes na linha da pipa. A brincadeira folclórica deve continuar, sem a utilização do cerol, sobretudo é preciso adotar regras de segurança para evitar danos, inclusive mortes. Deseja-se que a morte de Ezequias Pessoa do Nascimento tenha sido a última envolvendo a má utilização da pipa. Um brinquedo antigo e tão popular deve sempre trazer sorrisos e alegria, jamais a dor e as lágrimas.

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