Quando os anos não bastam

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Em qualquer curso, é possível aproveitar todo o aprendizado, bem como é plausível que o aproveitamento seja parcial. Um leigo sobre essa sentença daria uma opinião sem usar dados fidedignos como argumentos, já um estudioso da arte do ensinar e do aprender estudaria a questão do ponto de vista científico. As pessoas virariam partes, o ensino tornar-se-ia objeto, e o caminho percorrido para passar o conhecimento seria denominado canal.

A vida, como caminho que é entre o nascimento e a morte, também pode ser objeto de estudo ou de simples opinião. A vida dos insetos, das plantas, assim como a dos animais, é muito importante, e existem ramos do saber que estudam todas elas. No entanto, a vida do homem fascina, pelas surpresas, pelos acasos, os dramas, as saudades, os amores e, sobretudo, pelos momentos de lucidez e de loucura que permeiam e perturbam a racionalidade humana.

Uma criança se encanta fácil, empolga-se com descobertas simples, tudo em razão de sua própria inocência. Um adolescente luta para assimilar suas transformações, seus medos e para formar suas convicções. Um adulto se esquece, por vezes, de pensar e deixa a vida rolar. Porém, um idoso com certeza reflete sobre o que foi e por vezes se resigna ou se rebela contra o malfadado desfecho de sua história.

Ao voltar os olhos para os anos que foram, muitos ficam radiantes, outros se “lixam”, e outros tantos choram. O conservadorismo impregna as almas dos homens que ficam arraigados em seus próprios pensamentos, bem como dos seres humanos que remoem suas próprias verdades, dos “racionais” que se perdem em seus preconceitos e dos que se encontram no labirinto das certezas morais.

A arte de esbravejar é contraproducente, mas totalmente aceita. Os padrões mudam, e as correções e incorreções deixam de existir ou trocam de lugar. A vida não é uma geometria de paradigmas, muito menos uma anarquia de conceitos. O homem que se fecha em seu próprio mundo precisa de ajuda. Ainda que não peça, é preciso mostrar a ele outros “sóis”.

Os anos passam, e o enfado arrosta. O sábio Salomão dizia, em uma interpretação livre, que tudo na vida é vaidade, ilusão e canseira. No livro de Eclesiastes está escrito, no capítulo doze, que a mocidade deve se preparar para a velhice e para a morte. Eis aí talvez a pior sentença da vida, a da finitude dos dias.

A atitude, o falar e o se relacionar do homem e da mulher são para ficar cada vez mais refinados com o engolir dos anos e das décadas, pela boca sem forma que adota o vento frio que varre toda a existência. É preciso que a voz tenha firmeza, mesmo que as cordas vocais se afrouxem. Ainda que o andar vacile, é preciso ter certeza de aonde se quer chegar. Por mais que a confusão das sombras e da claridade desnorteie, é necessário se concentrar no discernimento conseguido nas duras batalhas diárias.

Quando os anos não bastam para amainar um sentimento, uma postura, uma conduta e uma maneira de ser, é preciso serenidade, paz e alegria para aceitar que nem todos os alunos da vida aproveitam o curso todo. Enfim, basta decidir que tipo de discente você será. Depois disso é só acenar para o destino e ser feliz.

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