A reflexão de Pilatos

16:06:00



O governador romano Pilatos tinha tudo o que poderia desejar para sua época. Possuía fama, a satisfação dos prazeres da carne, possuía descendentes e os seus sonhos estavam realizados. Havia atingido a expectativa dos seus súditos. Era um mito em vida. Fazia e desfazia na história dos homens e mulheres. Ele era a própria justiça.

Um homem com a autoridade de Pilatos impressionava o cidadão comum de Roma. Porém, os mais argutos ousavam indagar e adorariam saber coisas que atingem qualquer ser pensante. Por exemplo: Quais seriam os medos de um governador como Pilatos? Quais seriam seus pensamentos? Ele era feliz? E Jesus? Ainda aparecia em seus sonhos, mesmo depois de tanto tempo da sua morte e ressurreição?

Bem, perguntas subjetivas recebem respostas subjetivas e Pilatos não as negou para a posteridade. Certa noite, após muito vinho e solidão, acabou escrevendo em pele de animal uma declaração, que até hoje é motivo de discórdia entre céticos e historiadores, pois muitos acreditam ser um apócrifo qualquer e não o registro da emoção do grande governador.

O grande homem, que lavou as mãos acreditando que se eximiria do que foi feito com Jesus, derramou naquela noite as suas emoções, tendo sido as suas palavras mais ou menos assim:

“Sinto que morro a cada segundo, que não consigo usar meus erros para me tornar um pouco melhor. Nego o sorriso por não saber construí-lo, por acreditar que ele não me pertence e pela convicção de que os néscios e apenas estes teriam motivos para contrair suas feições em um sorriso aberto, torto e bobo.

Sou mais rude do que preciso ser, mais desleal com minha esposa do que com as concubinas. Conto as estrelas e busco minha energia além de Roma, creio nas profecias antigas e sei que talvez não protegi o messias.

Acredito, que as dores da minha consciência só irão piorar. Vou morrer esquecido e meu nome não sobreviverá o primeiro século. Fiz algo boçal. Minha missão era enxergar além do véu, mas minha visão foi até ele. Meu interior clama por paz, mas estou em tormento constante. Dor que não se apazigua. Imagem que se repete. Ferro que fere, lança que me transpassa, sem me sangrar.

Os meus antepassados me abandonaram. Deixaram-me sem suas orientações, seus carinhos e suas presenças. Vivi muito bem até vir Jesus, após a sua vinda e partida, tornei-me apenas pálido, uma presença bruxelante, tal qual a sombra da chama de uma vela que ameaça apagar.

Eu vou para a eternidade e talvez lá eu possa outra vez encontrar a serenidade que há tempos perdi...Só o arrependimento não me bastou, talvez eu seja merecedor deste fogo invisível que consome minha existência, causando dor e perplexidade, ante a impotência de algo fazer”.

A reflexão de Pilatos demonstra o sentimento de um ser humano normal, pois todo homem decide muitas coisas ao longo da sua vida e se equivoca várias vezes. Porém, as escolhas decidem o desfecho de uma existência e só no apagar das luzes do nosso olhar, nossos corações irão alcançar a paz do entendimento, de que tudo o que foi feito, foi com a benção de Deus, que não permite nada do que ele não tenha realmente planejado para nosso aprendizado e crescimento como seres espirituais que somos.

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