A jovem senhora

10:53:00


Os sonhos nascem em qualquer período da vida, do dia ou da noite. Duram anos ou se evaporam em segundos. O ideal nem sempre é a maneira mais adequada para ser feliz, muito menos é um requisito para ser compreendido ou uma condição indispensável para o prazer.
 
A jovem senhora tinha mais de cinqüenta anos quando resolveu fazer um balanço da sua vida. Em uma tarde fria de agosto ela entrou no seu quarto e contemplou a própria imagem no espelho.

A sua beleza de agora era um reflexo do que havia sido na juventude. O seu cabelo era claro, igual aos seus olhos. Era baixa. Caso pudesse escolher, talvez emagrecesse um pouco. Porém, a vida é uma parábola e agora ela se encontrava do meio para o final. Constatou isso sem nostalgia. A vida dela havia sido, ainda era e com certeza continuaria boa.

Ela puxou na memória a infância feliz que tivera. Uma casa de amor, simples, mas de pais, de tios e avós bondosos. O luxo não foi elemento presente. Mas, a religião, os exemplos, as amizades e os desejos infantis eram puros, sem tantos receios, como se encontram atualmente no dia a dia. 

Em uma esquina qualquer da vida ela encontrou um pretendente a amor. Ele, já na época, não era um primor de carinho, gentileza e doçura. Porém, de alguma maneira o namoro fluiu e eles se casaram. Vieram três filhos, duas meninas e um menino. A vida prosperou, mas muitos sonhos ficaram guardados para depois e o depois até aquele momento em frente ao espelho não havia chegado.

A jovem senhora era católica, mas fora bastante religiosa apenas na infância. O marido que era um crítico ferrenho de tudo e de todos deixara muito cedo de acompanhá-la às missas. Ele apenas ia a casamentos. Era um pouco intransigente, talvez, algo durante os anos levara a pouca paciência que um dia ele tivera.
 
Ela pensava, olhando para o espelho, onde estão os meus sonhos? Queria um neto para brincar, liberdade para imaginar e um pouco de ousadia para se libertar. Por onde começar? E o que fazer para tirar o bloqueio imaginário e o muro que a rodeava? Ou a cerca que subia até os céus? O seu isolamento não era frio, mas ela não desejava mais continuar prisioneira de si mesma.

A vida era razoável financeiramente. Emocionalmente era ruim. Poderia ser melhorado. Os filhos eram bons, generosos e saudáveis. Porém, eles eram, às vezes, sem paciência, um pouco rígidos e mais ríspidos. Mas, ela compreendia, era reflexo do que o pai era. E isso não era uma observação crítica destrutiva. Era tão somente uma constatação.

Uma lágrima rolou pelo seu rosto e a pergunta que ela não ousava fazer em voz alta, de repente saiu: “será que eu já fui amada um dia?” Porém, na mesma hora ela se lembrou de uma frase de um padre, que na sua infância disse a ela, por ocasião da sua primeira comunhão, “o maior amor do mundo encontra-se no coração de cada um, pois Deus habita no coração das pessoas”.

Ela saiu da frente do espelho. Foi até o guarda roupa, que ficava próximo ao banheiro, abriu a última gaveta, das três, que ficavam abaixo da última porta, retirou uma bíblia e a abriu no livro de salmos. Apanhou seus óculos, em cima da penteadeira, onde ficava também o espelho, no qual até agora ela se olhava. Colocou os óculos, sentou-se na beirada da cama e começou a ler o capítulo primeiro de salmos, neste momento o seu coração começou a ficar mais em paz. Sentiu até vontade de sorrir.

Neste momento ela teve uma idéia. Ela leria todas as noites a bíblia. Conheceria, enfim, a história que Deus havia deixado para a humanidade. E assim, ela fez. Começou a ler todas as noites a bíblia. Ela lia um capítulo por noite. Depois rezava e não pedia a realização dos seus sonhos, apenas pedia que Deus lhe emprestasse a felicidade.

O tempo passou a jovem senhora voltou às missas. Logo passou a ajudar na igreja. Passou a viver em comunidade. Vieram netos e ela agradeceu a Deus. O marido com a chegada das crianças passou a ser mais feliz e começou a ir também com ela para a igreja. A vida mudou muito para melhor.

Desta maneira ela começou a dar seu testemunho para suas amigas e para aquelas que reclamavam da vida. O método simples da jovem senhora começou a fazer sucesso na comunidade. Antes de dormir ela lia a bíblia e depois rezava pedindo felicidade. Deu certo e até hoje ela olha para o marido, ainda impaciente e tem certeza, que ele a ama, apenas não sabe demonstrar e isso serena ainda mais o seu coração, pois Deus a colocou no caminho dele para ajudá-lo. Como ela entendeu a sua missão e a aceitou, a felicidade tornou-se sua companheira e a alegria tornou-se uma visita agradável, em todos os momentos da sua existência.

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