sexta-feira, 7 de junho de 2013

Eu matei duas pessoas

“A minha vontade não era mais sábia do que a minha generosidade, e as minhas ações eram dignas. Eu era uma pessoa responsável no meu trabalho. A minha família e meus amigos me admiravam. Eu era feliz, tinha um futuro promissor e a possibilidade de fazer o bem. O caminho estava livre para a realização dos meus sonhos, e a minha esperança era imensa.

Contudo, em um instante, no deslize de um gesto impensado, num copo com cerveja gelada, em uma dose de uísque e de outras bebidas quaisquer, acabei cedendo e bebendo. Apenas o instante importava, pois era festa, o bar e os colegas faziam parte do momento. Eu duvidei de que, enquanto eu estivesse dirigindo, aquela bebida pudesse prejudicar meus reflexos.

Eu dizia que a lei seca era severa e tal. No entanto, nem ligava para as estatísticas divulgadas. Eu nem sabia que trinta por cento dos acidentes de trânsito são causados por ingestão de álcool, que cerca de trinta e cinco mil pessoas morrem em decorrência de acidentes de trânsito e que a singela ingestão de dois copos de cerveja poderia triplicar o meu tempo de reação.

Bem, era chegada a hora de eu ir para casa. Eu me despedi de todos do bar e parti para o meu veículo. Ele era novo, estava tudo em ordem com sua mecânica e com o documento, mas não comigo. Em uma estrada, no meio do caminho, eu dirigia muito rápido, e o improvável, o inimaginável aconteceu: outro automóvel apareceu sem que eu visse de onde havia surgido.

Eu não percebi, pois estava sob o efeito de álcool, que, embora não estivesse embriagado, meu reflexo estava lento. O outro condutor estava certo, seguia com a mulher e dois filhos, pois iam visitar parentes no interior de São Paulo. Ele dirigia defensivamente e tinha escolhido viajar durante a madrugada por ter menos trânsito na estrada. Ele não havia bebido nada alcoólico. A colisão foi frontal, com mortes instantâneas: a do condutor do outro veículo e de sua esposa. Eu os matei e deixei seus filhos órfãos.

Eu cometi um erro qualquer enquanto dirigia e não tive o tempo de reação adequado para evitar aquela tragédia. Ah, o arrependimento! Se eu pudesse voltar atrás, deixaria de ser tão egoísta! Agora já foi, e a prisão, caso venha, será o de menos, pois será suportável, mas a minha alma está angustiada, e, embora eu não tenha sofrido um arranhão sequer no acidente, tenho certeza de que estou morto, pois é imensa a culpa que atinge o meu espírito. Enquanto eu existir, aquela triste imagem bailará em meus olhos, pois eu tinha o dever de me cuidar e deixei de observar o risco.”


Este relato foi por mim imaginado, mas inúmeros casos semelhantes a este acontecem diariamente, basta verificar nos jornais. Lamentável! Uma pena! É preciso adotar os cuidados especiais que a vida exige, bem como ter reflexões serenas e um otimismo responsável.  Enfim, vamos refletir, uma vez que causar acidente de trânsito é permitir a desvalorização da vida. Ajude! Não beba se for dirigir, pois você fazendo a sua parte deixará o trânsito mais seguro. 

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